O Culto a Thyatis

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Continuando com os artigos sobre a religião artoniana, aqui vai um artigo sobre Thyatis. Lembrando que o foco nesses artigos não são os devotos e os aventureiros (bem, no caso de Valkária, provavelmente os aventureiros serão incluídos, só que isso é mais para frente), mas sim as pessoas comuns. Além disso, esse artigo também envolve uma certa reinterpretação do deus. Críticas e sugestões são bem vindas!

Thyatis costuma ser representado como uma fênix flamejante. Ninguém sabe qual é sua verdadeira forma.

"E eis que vi como um fumo, como fumo de vulcão, mas perfumado como incenso, subir da boca do nada. E por dentro da fumaça as grandes aves-do-paraíso cantavam 'Majestosa e gloriosa é vossa boa vontade, de todas as coisas só ela não encontra fim, e a ti foi entregue a chave do Cosmos, oh! brilhante misericordiador.' Meu coração fraquejou, e lamuriei 'Ai de mim, pois sou o mais pequenino das crianças dos deuses, o mais moço dos filhos de meu pai, e eis que vejo diante de mim o mais velho dos deuses, a quem nem os anjos podem ver sem que sejam consumidos pelo seu fogo!'. Mas um com a semelhança de homem me disse 'Não tema, homenzinho, nem te lastime, metade de homem, pois a ti foram perdoadas tuas transgressões, e Thyatis, o flamejante, escolheu-te para revelar mistérios ocultos até então."
-Do Apocalipse Arcano de Galbo Granpanço, o halfling, clérigo de Thyatis

Áreas de Influência: Almas, Perdão, Destino, Ressurreição, Profecia, Darma, Purificação, Renovação, Boa Morte

Associações: Fênix, fogo, morte, vida, ciclos, previdência, aventura, coragem, crescimento pessoal, pássaros canoros, corvo, abutre

Títulos: Fênix Divina, Psicopompo Divino, Oráculo dos Deuses, Flamejante, Misericordioso e Misericordiador

Festas: Dia da Profecia (03 de Áurea, 12º mês).

Servos Divinos: Ingol (deus menor das visões proféticas); Ulamm (deus menor mensageiro dos mortos).

Muito conhecido entre os aventureiros como deus da ressurreição e da profecia, duas coisas muito importantes para eles, Thyatis é para a gente comum do Reinado o deus das almas, do perdão e do destino. Apesar dos clérigos de Thyatis serem relativamente incomuns (comparados com os outros deuses do Panteão, ao menos), muitos vagam por Arton espalhando a palavra e os ritos de seu deus, e ele é um deus bem conhecido, ainda que não esteja entre os mais populares.

Ele é chamado de Psicopompo Divino, responsável por trazer as almas para seus corpos ao nascer, e então levar as almas para seu repouso eterno (ou danação eterna) nos Reinos dos Deuses ao morrer. Daí o dito popular "Ele vôou nas asas da fênix.", um eufemismo para se dizer que alguém morreu

É em seu nome que a maioria dos funerais são feitos, seja por um devoto do deus ou um sacerdote do Panteão. É costume nessas ocasiões acender velas pelo morto, simbolizando a chama sagrada do deus levando a alma para os Reinos dos Deuses. Os nascimentos, entretanto, costumam ser mais associados com Lena, pois ainda que seja Thyatis o responsável pela vinda da alma, Lena é responsável pela saúde física e pela vida da criança.

Dizem que as fênix são reencarnações dos
devotos mais piedosos do deus.
Apesar da associação do deus com o fogo, a cremação só é administrada aos corpos de seus devotos mais piedosos, e que já tenham alcançado o fim natural de suas vidas. Para todos os outros, devotos ou apenas adoradores ocasionais, os templos e santuários de Thyatis mantém amplos cemitérios onde os mortos são enterrados, na esperança de achar graça aos olhos do deus, e ser ressucitado no profetizado Dia do Destino.

Thyatis também é chamado de deus do destino. No Apocalipse Arcano de Galbo Granpanço, o halfling, é explicado que Thiatys foi o primeiro dos 20 deuses do Panteão a surgir no recém-criado Cosmos, e que foi ele quem abriu os portais para que seus irmãos adentrassem nessa realidade, vindos do vazio exterior.

Lá também é relatado que quando eles entraram, a Fênix Divina viu a totalidade da existência de cada um deles, e de suas obras, e de tudo que havia nelas, ou delas provinha, começo, meio e fim, a criação do mundo físico, e a chegada das almas do vazio exterior. E nisso, ele também viu o fim de tudo, o fim do Cosmos.

O texto sagrado ainda conta que quando o próprio Dia do Destino for apenas uma lembrança distante e os deuses já tiverem morrido, quando não houver mais astros no céu para medir o tempo, e nada mais existir exceto as últimas manifestações da existência, a última chance do ajuste de contas, ele organizará o que restar, e então fechará os portões de um mundo já há muito morto, e o que há além, nem mesmo o Oráculo dos Deuses sabe.

Porém, ensinam os clérigos de Thyatis, antes do fim de tudo, antes do Dia do Destino, o deus guiará os mortais, pois a cada mortal cabe um darma, uma missão para ser cumprida, seja essa modesta ou grandiosa, conforme as capacidades de cada mortal. As almas mortais são como o ouro, eles ensinam, e devem ser purificadas no fogo dos desafios e tribulações a elas impostos pelos deuses, e esses desafios são as missões de cada alma mortal, seu darma.

Por essa razão muitos aventureiros adotam Thyatis como sua divindade, vendo suas aventuras como desafios divinos. Aqueles que morrem e são ressucitados pelos devotos da Fênix Divina recebem visões do deus com tarefas a serem cumpridas. Essas tarefas, chamadas geasa (geas no singular), são simultaneamente uma retribuição e um agradecimento pela nova chance, e uma ferramenta no cumprimento do darma.

Mas para que o darma seja concluído é necessário paciência, é necessário perdoar, e dar àqueles que falharam uma nova chance de tentar de novo. Isso o coloca como deus do perdão, e seus clérigos ensinam que o perdão é uma das forças mais poderosas e fundamentais da realidade, pois muito mais que a ressurreição, o perdão sara feridas, junta aquilo que havia se separado, permite que se corrijam os erros cometidos, e ensina a conviver com o que já não tem mais correção.

O perdão permite um
renascimento das cinzas
do ressentimento.
O perdão, eles ensinam, é a morte para o passado, a morte do velho, e a ressurreição para um futuro melhor. E justamente pelo grande valor do perdão, e seu grande poder, este só pode ser dado àquele que tenha se arrependido, e esteja disposto a corrigir seus erros.

A associação do deus com o perdão faz com que alguns o tratem também como deus da esperança, mas não é o caso, sendo Valkária mais associada a tal.

Um importante ritual thyatita é a Última Remissão, que é realizado quando alguém encontra-se em seu leito de morte. Familiares, parentes, amigos e vizinhos reúnem-se, e um a um perdoam e pedem perdão ao moribundo, e por fim o sacerdote encarregado reconcilia a alma que parte com os seus deuses.

Muitos contos e fábulas artonianos falam de aventureiros a quem foi dada uma segunda chance por Thyatis apenas para que eles pudessem se despedir em paz de um parente alienado ou de um antigo amigo cuja amizade se desfez numa amarga inimizade.

É por isso que os sacerdotes de Thyatis ensinam que o deus não é o deus da morte apenas, mas o deus da boa morte. O deus não oferece a ressurreição, a renovação das chances de corrigir os erros do passado, para que os mortais temam a morte, mas para que eles possam ter uma morte melhor, para que eles deixem para seus sucessores um mundo melhor do que aquele que eles receberam de seus antecessores.