O Culto a Ragnar/Leen

Por Licorne Negro - outubro 19, 2015

Um novo artigo sobre a religião artoniana, dessa vez sobre Ragnar/Leen. Relembrando apenas que o foco nesses artigos são as pessoas comuns, que não vivem grandes aventuras, senão nascem e morrem no mesmo lugar, se tiverem sorte, vivendo até a velhice. Além disso, esse artigo também envolve uma significativa reinterpretação do deus.
Dessa vez, faço um agradecimento especial ao Green Puck, que me ajudou com as idéias. Como sempre, críticas e sugestões são bem vindas! =D

"Eu consigo te ver daqui!"

"Nimb é quem lança os dados, mas é Leen Ragnar quem dá os resultados."
-Dito lamnoriano.


Áreas de Influência: Desgraças, Tragédias, Doenças, Acidentes, Massacres, Catástrofes Naturais (ou não), Genocídios, Assassinatos, Brutalidade Desmotivada, Máquinas de Cerco, Goblinóides

Associações: Eclipses solares, eclipses lunares, luas novas, foices, o crescente lunar, ossos, cabeças degoladas, caveiras, podridão, chacais, larvas, lâminas de ferro, xadrez

Títulos: Ragnar, seu nome entre os goblinóides, é também chamado de Grande General, sendo diferenciado de Thwor Ironfist que é chamado apenas de General; Leen, seu nome entre os não-goblinóides, é conhecido também como Ceifador, Caolho, Coelho, Dentuço, Lua Negra, Três Peles, Coiso, Coiso Ruim, Peste, Indivíduo, Fedido, Cabeludo, Puro Osso, Mofado, Disgrama e uma vasta variedade de outros eufemismo

Festas: O dia da queda de Lenórienn entre os goblinóides da Aliança Negra; entre seus cultistas não-goblinóides 1º de Exinn (o 9º mês), considerado um dia aziago para a maioria da população; a maior parte dos não-goblinóides não fazem festas em honra a Leen.

Servos Divinos: Graolak (deus menor dos goblins); Hurlaagh (deus menor dos robgoblins); Luvithy (deusa menor da destruição)


Leen, como é conhecido pelas populações comuns do Reinado, é de todos os deuses do panteão o mais malfazejo, exceto talvez (e só talvez) por Sszzaas. Seu nome é pronunciado apenas pelos estudiosos e pelos loucos, e quando é necessário referir-se a sua pessoa, ou em certas interjeições, as pessoas usam eufemismos.

Muitos o confundem com o deus da morte, pois Leen é quem traz a morte na forma de tragédias, mas na realidade esse posto é ocupado por Thyatis. Igualmente, apesar de alguns teólogos do Reinado afirmarem ser ele o deus do tempo inexorável, a verdade é que esse posto pertence a Azgher. Leen é o deus dos desastres, de todos os tipos, mas principalmente daqueles que deixam para trás mortos e feridos.

"Sua hora... Não, eu não sou o deus do tempo, é aquele babaca do Azgher. Quer me deixar terminar agora?"

É dito que, uma vez que tenha escolhido uma vítima para enviar tormentas sobre sua vida, ele é sempre capaz de vê-la não importa onde ela tente se esconder. Segundo as tradições populares, sempre que Nimb traz azar sobre alguém, é Leen o responsável por gerar os resultados.

Apesar de tudo isso, há quem ache sábio oferecer a ele presentes e subornos, para que o deus não se volte contra o indivíduo ou seus parentes e amigos, ou até para que ele se volte contra um rival ou inimigo. Tais oferendas costumam ser animais brutalmente mortos e deixados com comida em lugares obscuros (casas abandonadas, florestas, trilhas pouco usadas...), de preferência nas noites de lua nova, mas os verdadeiros cultistas do deus praticam sacrifícios de pessoas em rituais profanos melhor deixados indescritos.

Poucos, exceto alguns eruditos e pesquisadores, reconhecem Leen e Ragnar como sendo o mesmo indivíduo. Para a maioria dos habitantes do Reinado, incluindo muitos dos citados eruditos e pesquisadores, Leen é um deus maior, irmão de Lena, e Ragnar é um deus menor dos goblinóides gigantes.

Alguns goblins do Reinado até reconhecem Ragnar como um deus maior, geralmente colocando-o como a verdadeira (e oculta) face de algum outro deus maior, quase sempre Megalókk, Keen, Sszzaas ou o próprio Leen. Mas tal crença é restrita a sociedades secretas dentro das comunidades goblins.

Os próprios bugbears que habitam além dos domínios da Aliança Negra vêem seu deus como um deus menor de seu povo, poucos sabendo da ascenção de Ragnar, apesar da antigüidade do fato.

O mito de Leen conta que ele tornou-se o deus da morte quando o mundo ainda era jovem e os deuses tinham acabado de o criar. Leen e Lena eram os deuses irmãos da lua, governando conjuntamente o brilhante astro. Ele apaixonou-se por sua irmã, e desejou tomá-la por esposa, mas ela fugia sempre de suas investidas.

Com o coração ferido pela constante rejeição, Leen acabou por morrer de amor, e uma das faces da lua escureceu-se para sempre. Lena chorou pela morte do irmão, e de suas lágrimas surgiu a primeira vida nos oceanos de Arton, e mesmo morto ele voltou para a consolar. Mas ela novamente o rejeitou, dessa vez em revulsão ante o que via.

Corroído pelo ódio, o mito diz que Leen jurou que exterminaria a vida criada por Lena. Ele jurou mandaria pragas e destruição, acidentes e velhice, catástrofes naturais e toda sorte de tragédias, até que não restasse mais nada das incipientes criaturas nascidas das lágrimas de Lena. Mesmo assim, a deusa não se abateu, e jurou que para cada criança sua que Leen levasse, mais mil nasceriam.

Então ele declarou aprisionaria as almas dos seres viventes após sua morte, para que sofressem eternamente em seus domínios. Lena gritou em angústia e, vendo seu sofrimento, Azgher, o deus do sol, baniu Leen para o lado escuro da lua, queimando-o com seu fulgor. Thyatis também veio, como um grande pássaro flamejante, intocável para Leen, e tomou as almas dos mortos sob suas asas, para que assim os males de Leen não pudessem mais alcançá-los após a morte.

Dizem também alguns mitos que, escondido na escuridão da lua, foi Leen quem ensinou a Tenebra como criar os mortos-vivos, assim angariando a simpatia da deusa. Mas a maioria dos eruditos sérios ignora essas afirmações: Tenebra certamente é a criadora original dos mortos-vivos, não tendo preciso de Leen para isso.


A Verdadeira História de Ragnar


A história de Ragnar é uma história curiosa, tratando-se de um deus menor que ascendeu à condição de deus maior apenas recentemente. O mais velho de três irmãos divinos, nascidos da infinita força vital de Lena e moldados por Megalókk no começo dos tempos, que incluiam Hurlaagh, o do meio, e Graolak, o mais novo, Ragnar sempre foi um maníaco sádico, mesmo antes de tornar-se um deus maior.

Os mitos goblinóides contam que há muito tempo Graolak, o irmão mais novo, encontrou um pequeno homenzinho abandonado numa caverna pelo deus que o havia criado. Do que se tratava o homenzinho os mitos não chegam a um consenso, e o goblinóide original é chamado por diversos nomes, como gôblin, golbin, goblinante, goblinaide, nilbog, gnolbin, gnomo, gnomlyn e uma grande variedade de outros.

Foi só mais tarde que os goblins
conquistaram algum "amor" de
seu criador.
O homenzinho temeu o deus e escondeu-se, mas Graolak o capturou com uma elaborada armadilha, e dedicou-se a experimentar com o homenzinho, divertindo-se enquanto fazia dele um arremedo de gente. Um nariz exageradamente grande e adunco, pontudas orelhas de abano, pernas arqueadas, uma corcunda, braços compridos demais, olhos grandes e esbugalhados, e a pele de um amarelo doentio.

Quando terminou de tornar a pobre criaturinha numa piada prática de mal-gosto, Graolak, orgulhoso, foi mostrar a seus irmãos mais velhos o resultado. Mas ao invés de acharem graça na piada, seus irmãos viram outros potenciais para o pobre diabo, o primeiro goblin.

Hurlaagh decidiu criar a partir do goblin de Graolak um povo conquistador, que espalhasse seus domínios pelo mundo, submetendo o mundo a seu controle, e assim nasceram os robgoblins. Ragnar, por sua vez, decidiu criar uma raça de bichos-papões, aterrorizantes e cruéis, escondendo-se nas sombras para capturar, torturar e matar todo aquele que cruze seus caminhos, por nada além do prazer que ele sente vendo tais atos de perversidade, criando os primeiros bugbears.

Quando Ragnar tornou-se um dos deuses maiores, e passou a ser conhecido como Leen entre os povos não-goblinóides, ele viu nisso uma oportunidade única de torturar toda Arton com seu novo poder. Não mais limitado a aterrorizar apenas algumas vítimas por vez através de seus bugbears, ele tornaria Arton num mundo de pavores, uma casa de horrores como nunca se viu antes. Surgia assim o deus maior das desgraças como o mais novo membro do Panteão.

Por um pacto com Tenebra, ele obteve os serviços da deusa menor Luvithy, e impondo seu poder sobre seus irmãos, ele os escravizou. Graolak conseguiu fugir, e tenta sabotar seu irmão mais velho sempre que surge uma oportunidade, mas Hurlaagh mantém-se sujeito a Ragnar, ainda que deixe transparecer seu descontentamento ocasionalmente.

Ragnar entregou a seu povo a pedra circular inscrita com a Profecia do Punho de Ferro de Ragnar, que falava de um escolhido seu que viria para espalhar a morte e a guerra sobre o mundo inteiro. Incentivando a Guerra Infinita entre elfos e robgoblins, intervindo para que nenhum dos dois lados pudesse obter uma vantagem decisiva no conflito até a vinda de seu escolhido, Ragnar se preparava.

Os bugbears são o povo escolhido de Ragnar.


Seus profetas bugbears pregavam a supremacia goblinóide sobre as demais raças, e angariavam adeptos até mesmo entre outras raças de humanóides malignos. Enquanto isso cultos devotados a Leen, formados tanto por loucos sádicos, quanto por aqueles que, desesperados por poder, aceitaram fazer pactos com a Lua Negra, sacrificavam pessoas a seu deus, e espalhavam toda sorte de pragas e maldições sobre populações indefesas.

Claro que a aparente preferência de Ragnar pelos goblinóides não significava uma real preferência por eles. Para o cruel deus mesmo os bugbears que ele criou não passavam de uma ferramenta, temporariamente útil, para espalhar a miséria por todos os cantos. Tão logo eles provem não ser mais úteis, o deus os abandonará como um lenço velho. Mas até lá, lhe serve a ilusão de que ele se importa com os goblinóides e com sua posição no mundo.

Também se enganam aqueles que pensam que Leen deseja destruir o mundo ou qualquer coisa nesse sentido. Um mundo destruído não sofre mais, e a tortura só é eficaz enquanto houver continuidade e esperança de um escape. Isso não quer dizer que Leen não esteja disposto a matar indivíduos, ou mesmo praticar genocídio de raças inteiras, mas ele não está disposto a extinguir toda a vida, pois assim sua diversão acabaria. E Leen é, acima de tudo, um sádico.

Seus planos finalmente começaram a dar frutos quando, em 1.364, sob um eclipse, nasceu seu escolhido, Thwor Ironfist. Guiado pela providência divina de Ragnar, Thwor cresceu para se tornar o General unificador de todos os goblinóides, e mesmo algumas outras raças malignas selvagens como orcs, ogros e kobolds, na sua guerra contra elfos, humanos, anões e outras raças semi-humanas. Para isso o poderoso guerreiro recebeu ajuda de Gaardalok, um ambicioso sacerdote de Ragnar que por sua perspicácia e sabedoria tornou-se o braço direito do General e o novo sumo-sacerdote de Ragnar. Assim surgiu a Aliança Negra.

Com a conquista e devastação de Lamnor, agora a Aliança Negra ameaça se estender até Remnor, espalhando a dor e a destruição ao continente setentrional. Apenas Tyrondir permanece de pé como uma última linha de defesa entre o Reinado e as pretensões do deus. E agora, Khalifor já caiu...

Parece que, salvo se a profetizada Flecha de Fogo for encontrada, Ragnar é o contendente mais capacitado para se tornar o novo líder do Panteão, derrubando Tauron de sua posição ainda precária. Um mundo governado por Ragnar certamente seria um lugar horrível de se viver, onde a brutalidade reinaria, e a própria natureza seria ainda mais hostil.

Isso apenas demonstra a esperteza, se não a inteligência, de Ragnar, um deus desprezado e odiado por todos os demais, exceto por sua única aliada, Tenebra, que apenas mantém-se amigável a ele para que, na eventualidade de Ragnar assumir o manto da liderança no Panteão, suas criações mais obscuras, os mortos-vivos e os licantropos, possam dividir entre si os espólios de uma Arton devastada, espalhando o terror.

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