Metagame

Por Geração Alpha - março 08, 2017


            Metagame - quem nunca ouvi essas duas palavrinhas juntas e tremeu na base? Ou ficou apenas boiando sem saber do que se tratava? Contudo, garanto que mesmo sem saber ao certo ao que se refere, todo mundo já fez metagame e mais de uma vez na vida.
            A definição mais simples que me ocorre é: usar conhecimento/informação pertencente ao jogador como se fosse o personagem, vamos a alguns exemplos mais comuns:

Conhecimento do Jogador
Mestre:agora com um pouco de luz, é possível ver uma criatura com quatro patas de inseto e uma carapaça grossa; sua cauda coberta por uma carapaça de placas termina em uma projeção dupla e duas antenas na cabeça, uma abaixo de casa olho, repousam enquanto a criatura apenas observa após devorar alguns restos no chão.

Jogador 1:cuidado pessoal! É um monstro da ferrugem! Mantenham distância de suas antenas pois elas com apenas um toque podem transformar nossos equipamentos em poeira!

Jogador 2: “não se preocupe não. É só um Troll, joga fogo ou ácido nele que resolve...”

Se o personagem nunca tinha encontrado uma criatura dessas antes, como ele sabia de tudo isso? – Simples, o jogador leu o Livro dos Monstros antes de jogar. Na maioria dos casos, isso influencia negativamente o andamento do jogo, seja pela perda da fluência do jogo, seja pelo desinteresse que gera em jogadores e mestres.

Táticas Avançadas
Jogador 1: “vai por ali e usa Força do Touro em mim e você usa… ai meu bônus vai pra +6 e…

Jogador 2: “olha é um monstro-estátua-de-pedra! Vai por trás enquanto eu bloqueio os raios da petrificação que ele  vai soltar ai você usa magias de gelo que ele tem fraqueza!

Jogador 3: “vou usar eletricidade porque ele também é imune à ácido!

E isso porque eles são um grupo que acaba de se conhecer na taverna!

Interpretação de Espaço/Tempo
O grupo se divide em dois, mas como os jogadores estão um do lado do outro na mesa falam “magicamente” entre si, e seus personagens acabam tomando decisões baseado em informações que não teria como saber por não estarem naquele lugar. Ou até tomam decisões baseada na opinião de outros personagens que estão em outros lugares.

Mestre: “vocês encontram um porta secreta.”

Jogador que está na Sala: “vou empurrar a porta.”

Jogador que está no Quarto: “espera deixa eu ver se tem armadilha – volto para a sala.”

            É a parte mais difícil de se evitar, você dar alguma dica para o outro Jogador sendo que seus personagens não estão próximos ou tomar uma decisão baseado no que o mestre disse para outro Jogador, mas, seu personagem não sabe dessa informação.

Lidando apenas com Números
O Ladino e o Guerreiro receberam 8 pontos de dano. O Ladino (R2), a poucos PV de cair, se afastou do centro do combate, e não será atacado até a próxima rodada. O Guerreiro (R4) está enfrentando dois bugbears, mas chegou próximo à metade dos seus PV. Obviamente, ele corre perigo durante a próxima rodada. O mago está caído.
            Quem o Clérigo deveria curar? Para o personagem, o Ladino parece muito mais ferido, e deveria receber atenção o quanto antes. Para o jogador, parece mais provável que o Guerreiro vá cair no próximo turno, enquanto o Ladino está temporariamente seguro. O que fazer?
Agora presuma que os jogadores estão à mesa, analisando esta situação. O Mestre deveria permitir que eles trocassem ideias entre si? Veja o diálogo imaginário abaixo:

Jogador do Clérigo: “Quem precisa de cura? Só tenho mais 2 Pontos de Magia.”

Jogador do Guerreiro: “Eu preciso, mas posso aguentar o próximo turno pra você curar o Ladino. Quem sabe ainda uso um Ataque Múltiplo.”

Jogador do Ladino: “Relaxa, eu bebo uma Poção de Cura e corro pra longe do perigo. Cura o Guerreiro.”

Jogador do Mago: “Eu tenho Pontos de Magia, posso usar Sono nos bugbears, mas estou desacordado.”

Por fim, fica decidido o seguinte: O Ladino irá tomar uma Poção de Cura, o Guerreiro continua atacando, e o Clérigo levantará o Mago, que decidirá o combate com sua magia.
Os jogadores estão discutindo seus recursos em dimensões alheias aos personagens, e administrando eles de maneira racional, como jogadores, e não passional, como personagens.

Conclusão
Além, de que é e sempre será uma questão complicada, por mais que tentamos nos ater ao máximo aos personagens, de interpretar da melhor forma possível, nosso universo é completamente diferente do deles, e nossa gama de conhecimento muito maior.
No mais, a maioria dos jogadores conhece mais que o livro básico do sistema, conhece as estatísticas, regras de combate, descrição de cenário e fichas de inimigos, o que dificulta ainda mais separar o que o jogador sabe do que o personagem sabe.

Então o que fazer? Simples, tentar ao máximo não fazer metagame (na prática não é tão simples, mas na teoria...).
Se seu personagem não tem tal conhecimento, represente isso, seja fidedignos a história e conhecimentos do personagem.
E evite a menção de regras, e de termos que não existem no mundo do jogo, como PVs, Espada + 5, falar enquanto está desmaiado, discutir táticas de batalha no meio do combate como se tivesse tomando chá e pelo amor dos deuses, chame os personagens pelos seus nomes e não pelas suas classes ou nome dos jogadores.

            Resumidamente, interprete, é um jogo de interpretação e essa é o objetivo principal do RPG e a melhor tática contra o metagame.

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