Monstros de Metal

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A Missão da Brigada Ligeira Estelar é defender a Constelação do Sabre. Algumas das ameaças presentes datam de tempos imemoriais…
e também são crias do ser humano. Mas para que entendamos melhor isso, temos que retornar aos tempos do Grande Vazio — uma época particularmente estranha da história da Humanidade, com picos de alto desenvolvimento tecnológico e momentos de obscurantismo total. Eventualmente, os dois se conciliavam. Como esses momentos foram entremeados por guerras devastadoras, muita informação sobre esses avanços se escondeu. Há registros de robôs gigantes com quase cem metros, máquinas fantásticas, implementos inusitados — e os segredos por trás dessas tecnologias levam muitas pessoas a sítios arqueológicos em busca de dinheiro, fortuna e poderes inacreditáveis gerados pelo conhecimento humano de outros tempos. Curiosamente, no ambiente espacial elas tenderam a ser melhor preservadas, longe das intempéries planetárias que envelhecem e destroem a tecnologia. E o quadrângulo negro, a área menos mapeada da Constelação do Sabre, tende a ser um celeiro de sobrevivência para essas tecnologias que parecem incomuns e absurdas. Os eventos recentemente registrados no Fio do Sabre (N. do E.: ver ambos os volumes de Belonave Supernova) acabaram deixando claro que não se pode mais negligenciar as potenciais ameaças ao Império da frente espacial…

METÁSTASES DE FERRO
F2 (esmagamento) H0 R3 A3 (blindagens) PdF2 (defesas automatizadas) — PV5, PH5 (no primeiro dia; Sugoi)

ESPECIAL: Ele simplesmente cresce sem parar — e vai ficando mais armado com suas defesas. A cada dia sem ser destruído ele ganha um ponto. Após o primeiro dia, ele terá H1 e H será sempre o seu primeiro atributo a ser atualizado, além de poder desenvolver implementos. No Espaço, ele diminui o ritmo de crescimento caso não tenha matéria prima para sua expansão — e em algum momento para, geralmente quando todos seus atributos entram na escala Kiodai. Caso uma nave ou ou estação espacial entre em sua área de ação, o ritmo de crescimento passa a ser de hora em hora — e quando se dá o upgrade, todos seus PVs e PHs são recuperados.

Durante o Grande Vazio, algumas indústrias preferiam automatizar sua produção em fábricas plantadas em grandes asteróides. O problema é que as pessoas foram embora mas as fábricas automatizadas ficaram — e com o tempo, elas se tornam uma espécie de parasita incontrolável, fabricando algo até que a matéria-prima acaba; a inteligência artificial (limitada) destrói o asteróide na tentativa de mineração; e eles acabam fabricando uma nova extensão da fábrica até atingir outro corpo celeste para mineirar, criar novas máquinas e produzir de forma incontrolável; enfim, elas crescem e crescem sem parar, repetindo esse padrão incessantemente. Esse fenômeno é conhecido como Metástase de Ferro.

Essas aberrações podem “contaminar” naves que entrem em seu raio de ação e torná-la também parte de sua fábrica de produção infinita, tanto que as ordens para a Brigada Ligeira Estelar são sempre de destruí-las assim que for identificada a sua natureza — o que Piratas Espaciais não costumam gostar: estes costumam tirar a sorte grande ao encontrá-las, porque a menos que um leviatã se instale ali dentro, tudo o que eles tem que lidar é com as defesas internas e externas do local (que são muito perigosas) e, após desativá-las, saquear tudo que puderem (com grandes lucros potenciais). Claro que eles destroem a Metástase de Ferro no final do processo; não convém correr o risco de que sua própria nave seja incorporada ao crescimento desenfreado da fábrica.

A Metástase de Ferro não é inteligente e nem mesmo exatamente agressora — tudo que ele faz é crescer sem controle e se defender dos que tentam destruí-la. Mas é uma ameaça perigosa, que jamais deve ser levada para ambiente planetário (uma vez que por sorte, a chance dele parar em um mundo por seus próprios esforços é muito remota — eles seriam destruídos durante a entrada na atmosfera de um planeta). Caso finque suas garras em terra firme, ela poderá minerar e se estender de forma virtualmente infinita, crescendo de forma monstruosa e devastando tudo o que encontra sem parar.

LEVIATÃS
F4 (esmagamento) H2 R5 A4 (blindagem) PdF 4 (defesas internas e externas) — PV 20, PH 20
(escala Kiodai; esses atributos costumam variar um pouco de modo geral).
Hiperespaço, Modelo Especial, Membros Elásticos (braços muito compridos, tentáculos ou outros tipos de órgãos preênseis), Ataque Especial (variável), Implementos de Combate (variáveis), Deflexão, Adaptador.
Desvantagens: Dependência (precisa periodicamente atacar outras naves e sugar sua energia, incorporar novas partes, com novos Implementos). Alguns Leviatãs podem incorporar Lento e Pesado ou Ponto Fraco entre suas desvantagens.
Poderes de Kit: Regeneração

Assim como as Metástases de Ferro, os Leviatãs são frutos da tendência dos humanos em largar aquilo que não lhes interessa mais — algo particularmente perigoso em se tratando de tecnologia e de inteligências artificiais limitadas que seguem padrões recorrentes de atuação.
Embora todas as naves espaciais tenham seu grau de automação, durante parte do Grande Vazio era comum que piratas abandonassem suas naves de porte médio assim que tomassem naves maiores. Muitas dessas naves acabavam sendo recapturadas por caçadores, que as revendiam nos mundos mais próximos. Entretanto, muitas naves também acabaram não sendo encontradas e continuaram seguindo suas rotas preestabelecidas de forma cíclica. E diferentemente das Metástases, elas não eram tão interessantes de se saquear para os piratas espaciais (afinal, elas foram abandonadas em troca de coisa melhor).

Mas uma coisa era certa: elas precisavam funcionar. Como os piratas não se furtavam a abordar outras naves, os leviatãs passaram a fazer o mesmo para obter combustível e incorporar tecnologia — e no processo, abrigar por tabela a carga desses veículos mais antigos. Talvez por isso haja mitos entre os caçadores sobre tesouros inteiros “no bucho desses monstros”, mas muito do que se diz sobre os Leviatãs costuma ser lenda de marinheiros espaciais.

Não se sabe exatamente como eles passaram a apresentar braços, tentáculos e/ou pinças extensoras, como grandes insetos de metal que viajam pelo espaço ou se escondem em asteróides, sempre em busca de combustível. Quando tomam uma nave, tendem a incorporar elementos dela, permitindo que de forma vagarosa, eles evoluam — e pior, um leviatã ao absorver uma inteligência artificial nova com a ajuda de um vírus de computador inoculado em seu alvo, partilha o upgrade com a nave tomada, antes de largá-la no espaço com o mínimo de energia cósmica para continuar navegando. Em poucos meses, surgirá assim um novo leviatã, vagando em busca de combustível e infectando outras naves. Ou pelo menos é isso que todos falam. Repetindo, há mitos demais sobre esses construtos e um pouco de desconfiança é sempre bom.

Leviatãs com o tempo acabam lembrando grandes insetos de metal. Por sorte, sua pouca inteligência e mudanças estruturais tornam muito difícil que ele possa entrar em ambiente planetário sem ser destroçado na reentrada atmosférica. Mas o mais perigoso, sempre, é seu vírus de computador — que tende a ser rudimentar e pode ser eliminado facilmente após sua inoculação caso ainda não tenha feito um update. Depois que o update for feito, é preciso confeccionar um novo vírus de computador para eliminá-lo (que irá entrar no banco geral de dados da constelação, para ser partilhado com as demais naves do Império) — e pode não haver tempo para isso!

ESTAÇÕES CARNÍVORAS
ESPECIAL: As Estações serão construídas usando as mesmas regras para a construção de Estações Espaciais vistas NESTE LINK, mas terão como diferença o fato de procurarem evitar que suas vítimas fujam. Assim, seu PdF também se aplica às Defesas Internas; personagens sem a vantagem Mente Labiríntica terão -1 para se orientar lá dentro, correndo o risco de se perder em caso de falha crítica; e, finalmente, devidos aos “sucos enzimáticos”, os personagens perderão 1 ponto de vida a cada turno em que permanecerem dentro da base (a partir do momento da liberação desses líquidos). Escala Kiodai.

A engenharia genética também fabricou monstruosidades durante o Grande Vazio, e talvez as estações carnívoras sejam o melhor exemplo delas. O medo de se cruzar com uma é tão grande que muitas vezes, quando uma nave espacial encontra o que parece ser uma base abandonada de tempos muito antigos, alguns capitães de Marinha Espacial mais cautelosos preferem que ela seja evitada ou destruída imediatamente, devastando potenciais fontes de informações sobre essa época. Piratas Espaciais e Caçadores costumam, entretanto, se arriscar nesses lugares, fazendo com que os mais inexperientes entre eles acabem morrendo com muita facilidade.

A ideia era simples e bem-intencionada: fabricar em ambiente espacial, devidamente esterilizado, órgãos humanos para transplantes, com máquinas movidas por combustível orgânico, capazes de sintetizar material novo. Infelizmente, isso saiu do controle: as estações espaciais começaram a devorar as pessoas ali dentro, atraindo-as com ambientes agradáveis e sintetizando suco enzimático para dissolvê-las e devorá-las — e as esmagando. Basicamente, são como plantas carnívoras no espaço. Elas não são capazes de se multiplicar: ficam estáticas em seu ponto, esperando uma vítima chegar, para dissolvê-la, mastigá-la e processá-la, fazendo com que a nave volte à atividade e atraia mais pessoas. Eventualmente a falta de alvos por meses a faz apagar suas luzes, mas basta que UMA pessoa pise ali dentro para que ela se reative, permanecendo inofensiva por tempo suficiente para que se tragam novas pessoas… e ela dê o bote, para devorá-las e reprocessá-las.

Obviamente as primeiras delas, que surgiram por acidente, foram destruídas assim que se identificou a tragédia. O problema é que aquilo que se inventa não pode ser desinventado, e durante o Grande Vazio, era comum que se fabricassem falsas estações militares pertencentes aos exércitos adversários para que, confundidos, aqueles que nelas estacionassem fossem devorados.
Então tomem cuidado, desbravadores das estrelas: no espaço, pode ser que nem a Brigada Ligeira



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